Skip to content
24 de nov. de 2025

Computadores quanticos

Como realmente funcionam os algorítmos quanticos

O que

São computadores que diferentemente dos tradicionais binários, utilizam estados quânticos para processar algoritmos

Computador clássicoComputador quântico1011valores definidosamplitudes antes da leituramede 0 ou 1
ideia central

Do bit ao estado quântico

Um computador clássico move valores definidos. Um computador quântico move amplitudes e só entrega um valor clássico quando medimos.

estadoamplitudemedição

Por que

Muito se ouve falar que eles são superiores aos computadores tradicionais porque os 'qubits' estão em superposição e consegue-se calcular todos os resultados em tempo real (paralelismo) mas isso é falso

Nao e paralelismo magicomuitos caminhosinterferencia muda probabilidadesU
mito comum

Superposição não é ler todas as respostas

O circuito prepara muitos caminhos, mas a medição devolve um único resultado. A vantagem aparece quando as amplitudes erradas se cancelam e as úteis se reforçam.

interferênciaprobabilidadeuma leitura

Como

A vantagem do computador quântico está somente na complexidade temporal, que em teoria é mais rápido comparado ao computador mecânico. Não está na capacidade computacional.

A explicação de como funciona é um tema bem complexo, mas tudo que é complexo pode ser quebrado em etapas menores. Vou tentar anotar o que entendi até o momento

problemaalgoritmoportas lógicasqubitsa vantagem depende do algoritmo, nao do hardware isolado
pipeline

Problema, algoritmo e portas lógicas

O problema vira um algoritmo. O algoritmo vira portas lógicas. No hardware quântico, essas portas manipulam qubits e amplitudes.

problemaalgoritmocircuito

Qubits

O computador tradicional usa a unidade informacional bit. É um conjunto mecânico de transistores que podem estar em dois estados: ligado ou desligado, 0 ou 1.

Registrador clássico: 1011001012^702^612^512^402^302^212^102^0valor decimal: 178
bits clássicos

Cada bit guarda um valor definido

Antes da leitura, o bit clássico já está em 0 ou 1. A sequência abaixo representa um registrador de 8 bits com valor binário definido.

0 ou 1determinísticoregistrador

Já o quântico utiliza unidade informacional o qubit (que ainda não sei como é fisicamente) e seu estado é probabilistico. Para determinar seu estado é preciso fazer uma leitura que vai colapsar o qubit em um estado ligado ou desligado igual o tradicional

Qubits antes da medição|0>|1>|0>|1>|0>|1>|0>|1>estado: alpha|0> + beta|1>
qubits

Um qubit carrega amplitudes para 0 e 1

O qubit não guarda dois resultados prontos. Ele guarda amplitudes que determinam a probabilidade de medir 0 ou 1.

|0>|1>alpha|0> + beta|1>

Se utiliza essa notação 0|0\rangle 1|1\rangle para escrever um estado quântico

Teoria quantica

Difere das leis clássicas drasticamente e ainda existem divergências de definições

A mais utilizada seria a interpretação de Copenhagen que define a mecânica quântica como indeterminável e probabilística.

Para medir e trazer um estado para o mundo real é preciso observar e este ato faz com que as probabilidades se colapsem ou reduzem para um estado clássico

Distribuicao antes da leituraP(0)P(1)1resultado clássico
medição

Medir transforma distribuição em valor

A observação escolhe um resultado clássico conforme a distribuição de probabilidades preparada pelo circuito.

colapsoprobabilidaderesultado

Não entendi ainda bem mas tem uma frase legal

Einstein suddenly stopped, turned to me and asked whether I really believed that the moon exists only when I look at it

Algoritmos

O computador precisa resolver algum problema. Esse problema precisa ser traduzido em um programa ou algoritmo e este, por sua vez, transformado em uma sequencia de operações logic gates

Nenhum problema que não pode ser resolvido no computador clássico também não consegue ser resolvido no quântico

clássicoGroverShormenos operacoes para problemas especificos
algoritmos

A vantagem vem da complexidade

Grover reduz busca linear para uma busca quadrática. Shor muda a fatoração para um problema de período.

GroverShorcomplexidade

Um dos algoritmos mais famoso:

Grover: Para brute-force ou busca linear. É mais rápido que um computador mecânico na ordem quadrática.

Shor: Achar fator primo de um numero integral

No hardware atual, isso ainda não chega perto de quebrar SHA-256 ou RSA-2048. A importância está no princípio: alguns problemas mudam de escala quando existe um computador quântico grande, confiável e com correção de erros.

O algoritmo de Shor

O algoritmo de Shor é importante porque ele mostra uma vantagem quântica aplicada a um problema real de segurança: fatorar números inteiros grandes. A versão mais conhecida ataca a fatoração, que é a base do RSA. Outras ideias relacionadas também atingem problemas de logaritmo discreto, que aparecem em sistemas como Diffie-Hellman e criptografia de curva elíptica.

O ponto principal não é que o computador quântico testa todos os fatores ao mesmo tempo e depois lê a resposta. Isso não acontece. Shor transforma a fatoração em um problema de período, usa interferência quântica para tornar esse período mensurável e depois usa contas clássicas para recuperar os fatores.

N = 15f(x)período rMDC3 e 5a parte quântica encontra r; a parte clássica termina a fatoração
Shor

Fatorar vira encontrar um período

Shor não tenta divisores um por um. Ele procura repetição em uma função modular e depois converte o período em fatores.

fatoraçãoperíodoMDC

Por que isso importa

Em RSA, a chave pública contém um número N que é o produto de dois primos grandes: N = p × q. Qualquer pessoa consegue multiplicar p e q rapidamente, mas recuperar p e q a partir de N fica impraticável em computadores clássicos quando os primos são grandes.

Se um computador quântico tolerante a falhas conseguir rodar Shor em um N grande, ele pode recuperar p e q. Com esses primos, uma etapa clássica reconstrói a chave privada correspondente. Por isso Shor é uma das razões para a migração para criptografia pós-quântica.

pprimo secretoxqprimo secreto=Nmodulo publicoRSA publica N, mas depende de manter p e q escondidos
criptografia

RSA depende de fatoração difícil

Multiplicar dois primos é fácil. Recuperar esses primos a partir do produto é o ponto difícil que Shor ataca.

N = p x qchave públicapós-quântica
Shor não quebra hashes como SHA-256 do mesmo jeito. Para busca/brute-force, o algoritmo relevante é Grover, que dá uma aceleração quadrática, não uma fatoração direta.

Como ele pode ser usado

O uso ofensivo seria pegar uma chave pública RSA, extrair o módulo N, rodar Shor para fatorar N e usar os fatores para calcular a chave privada. O uso defensivo é entender esse risco e trocar sistemas vulneráveis por algoritmos pós-quânticos antes que exista hardware grande o bastante.

Hoje, o exemplo abaixo usa N = 15 porque ele cabe em poucos qubits e mostra a estrutura do algoritmo. Ele não representa a escala de uma chave real.

ataquedefesachave publicaShorp e qchave privadainventariotrocaPQCmenos risco
uso

Ataque e defesa seguem fluxos opostos

O atacante tenta fatorar a chave pública. O defensor troca o esquema antes que exista hardware quântico grande o bastante.

RSAmigraçãorisco

O exemplo pequeno: fatorar 15

Imagine que queremos fatorar N = 15. O algoritmo escolhe um número a menor que N, por exemplo a = 2, e verifica se a já compartilha algum divisor com N. Se mdc(a, N) for maior que 1, encontramos um fator sem precisar da parte quântica. Se não for, o algoritmo procura o período de a^x mod N.

O período é o ponto central do algoritmo. Shor não tenta dividir 15 por todos os candidatos. Ele observa a função f(x) = a^x mod N e procura de quanto em quanto tempo os resultados se repetem.

Para N = 15 e a = 2, a sequência fica assim:

2^0 mod 15 = 1
2^1 mod 15 = 2
2^2 mod 15 = 4
2^3 mod 15 = 8
2^4 mod 15 = 1

A sequência voltou para 1 depois de quatro passos. O período é r = 4.

f(x) = 2^x mod 151021428314254687r = 4
período

A sequência modular se repete

Para N = 15 e a = 2, os valores 1, 2, 4 e 8 aparecem de novo depois de quatro passos.

2^x mod 15r = 4repetição

Como o circuito organiza a conta

O circuito usa dois registradores principais. Um registrador é um conjunto de qubits tratado como uma pequena memória: em vez de guardar apenas um número clássico, ele guarda um estado quântico que pode representar muitos valores possíveis antes da medição.

O primeiro registrador guarda o expoente x. O segundo registrador guarda o resultado modular a^x mod N. Separar esses dois espaços ajuda o circuito a relacionar cada valor possível de x com o resultado correspondente da função modular.

Para N = 15, precisamos de n = 4 qubits para representar números de 0 até 15, então o registrador modular usa 4 qubits. Em uma forma didática comum de Shor, o registrador de expoente usa cerca de 2n qubits para medir o período com boa precisão. Neste exemplo, isso dá 8 qubits para x, ou seja, 2^8 = 256 posições possíveis para testar expoentes em superposição.

Assim, o exemplo conceitual usa:

8 qubits  para o registrador de expoente x
4 qubits  para o registrador modular
12 qubits lógicos principais

Circuitos reais ainda precisam de qubits auxiliares para fazer aritmética reversível e correção de erros. Demonstrações pequenas de 15 = 3 × 5 às vezes usam menos qubits porque otimizam o circuito para esse caso específico, mas isso não representa o algoritmo geral.

12 qubits logicos principaisexpoente x: 8 qubitsHHHHHHHHvalor modular: 4 qubits0001|x> |1> -> |x> |2^x mod 15>correlacao entre registradores
registradores

O exemplo usa 8 qubits para x e 4 para o valor

O primeiro registrador cria muitos expoentes possíveis. O segundo recebe o resultado modular correlacionado com cada expoente.

8 + 4superposiçãocorrelação

O preparo começa com o registrador de expoente em |0...0⟩, que significa “todos os qubits começam em zero”. Portas Hadamard colocam esse registrador em uma superposição uniforme de muitos valores de x. Em linguagem menos formal: o circuito prepara uma tabela quântica onde várias entradas de x existem ao mesmo tempo, mas ainda não foram lidas como números clássicos.

Depois, o circuito de exponenciação modular calcula:

|x⟩ |1⟩  →  |x⟩ |2^x mod 15⟩

Esse passo cria correlação entre o expoente e o resultado. Correlação aqui significa que cada possibilidade de x fica ligada ao valor correspondente de 2^x mod 15. A sequência modular tem período 4, mas esse período ainda não aparece como um número clássico legível.

Onde a QFT entra

QFT significa transformada quântica de Fourier. Ela entra exatamente depois da exponenciação modular, quando o período já está escondido nas amplitudes do registrador de expoente.

A QFT é a versão quântica da transformada de Fourier. Em vez de operar sobre uma lista clássica de números, ela opera sobre as amplitudes de um estado quântico.

A ideia intuitiva é simples: Fourier troca “posição” por “frequência”. No exemplo de Shor, “posição” quer dizer o índice x dentro do registrador de expoente. “Frequência” quer dizer o ritmo de repetição escondido nessa sequência.

Quando dizemos que a QFT “muda a base do registrador”, não significa que ela troca os qubits físicos. Ela muda o jeito matemático de descrever e medir o mesmo estado. Antes da QFT, o estado está organizado pelos valores possíveis de x; depois da QFT, ele fica organizado por frequências compatíveis com repetições desses valores.

Se uma sequência repete a cada 4 posições, a QFT concentra mais probabilidade em alguns resultados de medição. Esses resultados não são o período diretamente, mas apontam para frações que permitem recuperar o período na etapa clássica.

QFT animada: da repetição ao pico

A animação mostra a troca de base: um padrão periódico em x vira picos de frequência que revelam o período.

Motion
domínio de x: padrão periódico domínio de frequência 01234567 QFT troca base 064128192 medição: 192 ≈ 3/4 → r = 4 repete a cada 4 valores de x
período r = 4

1. O padrão está no tempo

O registrador de expoente contém amplitudes distribuídas em vários valores de x. Como 2^x mod 15 repete a cada 4 passos, as amplitudes carregam um padrão periódico.

leitura do exemplo
2^8 = 256 posições
r = 4 → espaçamento 64
192 / 256 = 3/4
auto 6,5 s

No exemplo, o registrador de expoente tem 8 qubits, portanto tem 2^8 = 256 posições possíveis. Um período r = 4 gera picos separados por:

256 / 4 = 64

Por isso a animação mostra picos em 0, 64, 128 e 192. Uma medição útil, como 64 ou 192, aponta para frações próximas de 1/4 ou 3/4. A etapa clássica usa frações contínuas para recuperar o denominador 4, que é o período r.

QFT: período vira frequência064128192repetiçãopicos medidos
QFT

Repetição vira pico de frequência

A transformada quântica de Fourier troca a base do registrador para destacar frequências compatíveis com o período.

064128192

Nem toda medição serve. O resultado 0 não informa o período, e alguns resultados podem reduzir para uma fração simples demais. Shor repete a parte quântica quando a medição não entrega um período útil.

Animação completa do Shor

A animação abaixo junta as etapas na ordem do circuito: preparar os registradores, calcular 2^x mod 15, aplicar a QFT, medir um pico e usar a etapa clássica para recuperar os fatores.

Shor em miniatura: do período aos fatores

O exemplo mostra o que o circuito quântico faz, quais registradores usa e por que a QFT revela o período.

Motion
f(x) = 2^x mod 15 x valor 1248 período r = 4 0112243841526478 amplitudes interferem; só o período fica fácil de medir
registradores do exemplo
12 qubits lógicos antes das contas auxiliares
8 + 4
expoente x8 qubits: 0 até 255
H
H
H
H
H
H
H
H
valor modular4 qubits: 0 até 15
0
0
0
1
o que a QFT mede
repetição no tempo vira pico de frequência
r = 4
0
64
128
192

Com 8 qubits existem 256 posições. Um período 4 gera picos separados por 256 / 4 = 64.

etapa atual
N = 15, a = 2
1. Problema útil

O uso prático é fatorar um número público N. Em RSA, esse N esconde dois primos: descobrir esses primos permite reconstruir a chave privada.

Período
r = ?
Qubits
?
Fatores
?
depois da medição
2^(r/2) = 2² = 4
mdc(2² - 1, 15) = 3
mdc(2² + 1, 15) = 5
auto 6,5 s

Navegar manualmente pausa a animação para você ler a etapa antes de continuar.

Como o período vira fatores

Quando o período r é par, o pós-processamento volta a ser clássico. Calculamos:

mdc(a^(r/2) - 1, N)
mdc(a^(r/2) + 1, N)

No exemplo, a = 2, r = 4 e N = 15:

mdc(2^2 - 1, 15) = mdc(3, 15) = 3
mdc(2^2 + 1, 15) = mdc(5, 15) = 5

Portanto, 15 = 3 × 5.

r = 4, a = 2, N = 15mdc(2^2 - 1, 15)mdc(2^2 + 1, 15)3515 = 3 x 5
pós-processamento

O período alimenta contas clássicas

Depois que r aparece, o algoritmo usa MDC para extrair os fatores de N.

r parMDC3 x 5
Esse exemplo é pequeno de propósito. Ele mostra a estrutura do algoritmo, mas não representa a dificuldade de quebrar chaves reais. Fatorar números usados em criptografia moderna exige computadores quânticos grandes, correção de erros e muitos qubits físicos para cada qubit lógico.

Recent Articles

Transferência de órbitas
Paradoxos
Added on: 07 de jul. de 2026
Como pdoruzir Amonia
Diversos
Added on: 24 de nov. de 2025
Computadores quanticos
Diversos
Added on: 24 de nov. de 2025
Deshumidificadores
Diversos
Added on: 24 de nov. de 2025
Forças intermoleculáres
Diversos
Added on: 30 de out. de 2025

© 2026